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Quinta-feira, Outubro 29, 2009


Vou de Bike.

Dia 03/11 estréia na NTV, canal 23 da ORM CABO, o CAFÉ FOX, que vai ser apresentado pela minha amiga Leila Loureiro. Um programa com linha editorial focada em cultura. Vou fazer uma matéria por programa dentro do quadro BELÉM TEM DISSO, inspirado na obra do Sergio Bastos. Vou descobrir coisas e pessoas de Belém.
A primeira é com o Marcelo da Bike. Um cara que coleciona bicicletas e tem algumas raridades. O Marcelo também é dono da Centopéia, que ele quer ver como meio da transporte nas ruelas da Cidade Velha. Fiz um teste drive na Centopéia e acho que pode dar samba, sim.
O resto tá na matéria aí embaixo.


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Quinta-feira, Outubro 22, 2009


Esse meu Blues é Carimbó.




To me rasgando de rir da boa provocação do Marcel, Gustavo, Damaso e toda a "quadrilha" da Se Rasgum. Pinduca e Gabi Amarantos na veia! Ligaram o fouuuda-se pro preconceito. O jazz já passou por isso, juro!

É tudo música de negro, música de escravo, música de ritmo. Tá certo que por aqui, o índio e o caboco quiseram entrar na suruba e deixaram suas marcas. Por lá, os Peles Vermelhas ficaram de fora da farra musical. Mas o Blues tem a influência de pelo menos 3 culturas: a espanhola, a francesa e anglo-saxã, com destaque para influências latino-americana, caribenha e francesa (Martinica). Alguém por aqui teria a cara de pau de negar que o carimbó também namorou com tudo isso?

O Blues cantado, que é a alma do jazz, usava o banjo, instrumento africano, como acompanhamento. Assim como o Carimbó do Pinduca, Verequete e Marco André. Mera coincidência? Mas tem um detalhe antropológico mais interessante e esse sim, tem a ver com a atitude do SeRasgum.

A história da arte, da cultura, jamais vai ser a história de um enredo só. Em cada lugar vamos ter pelo menos 2 histórias: uma que é consumida pela minoria rica, desocupada ou educada ( ou uma minoria de descolados culturais) e outra que vai ser devorada pela massa de pessoas "comuns". Duvido muito que alguém da massa se divirta no Festival de ópera da Amazônia. Tirando o lado pitoresco, duvido muito que o Presidente do Tribunal de Justiça, vá se esbaldar tomando cerveja no balde num baile de tecnobrega. O que une esses dois públicos é o orgulho nacional (ou territorial) e social. Por isso alguns artistas de minorias se tornam universais. Foi por esse orgulho nacional e social que o Blues, que se transformou em jazz, sobreviveu. Talvez seja por falta disso tudo que o Carimbó possa levar o farelo. Não preciso amar algo pra sentir orgulho daquilo. Mas acho bom reconhecer que aquilo tem valor, mesmo que eu não consiga amar. Por aqui falta esse sentimento.

Logo que o pessoal da Se Rasgum divulgou o Line-Up do festival, acompanhei algumas reações no Twitter contra o Pinduca e a Gabi. Com a rainha do tecnobrega houve até certa tolerância (?!) mas os elogios ao Pinduca foram de Farsante a plagiador. Quem não plagiou no mundo pop que atire o primeiro banjo. Roberto Carlos plagiou, Beatles plagiou, Stevie Wonder é cego, mas também já deve ter plagiado. Não to aqui fazendo apologia ao plágio, mas as canções fakes dessas figuras nunca serviram pra acabar com a carreira de ninguém. Restou o farsante Pinduca. Fiquei me perguntando qual a farsa que ele pratica. Sempre tocou carimbo, colocou alguns elementos folclóricos no palco, enfiou eletrônica no ritmo e foi o cara que conseguiu levar o Carimbó, mesmo não sendo o Carimbó que a minoria de educados gosta, pra todo o Brasil.

O Blues só não morreu por causa de um judeu que resolveu criar um selo para gravar e prensar discos daquela música de pergunta e resposta cantada pelos negros no vale do Mississipi. Que os caras da SeRasgum não são judeus, disso eu sei, afinal ainda não conseguem ganhar grana com o festival. Mas como fazedores culturais sabem que tem a missão de tentar educar, fazer o público refletir e incutir nas pessoas esse tal orgulho territorial e social pela nossa música.

Hermano Viana, Dj Dolores, Nelson Motta e outros menos preconceituosos já aderiram a modernidade e exotismo da cena musical paraense. Quando vem por aqui saem cheios de vinis do Pinduca, do Mestre Vieria, do Pio Lobato, La Pupunã e mais alguns. Tomara que os “descolados culturais” entendam a mensagem do Marcel, do Damaso e do Gustavo e curtam o show com respeito e a alegria que essa galera merece.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Tudo novo de novo.

Quando a Vittória era pequena queria ser jornalista. Sempre achei que ela tinha talento pra coisa. Fez vários offs pra comerciais de rádio muito antes de aprender a ler, participou de programas de tv ao vivo comigo, entre outras estripulias. Nunca dei muita corda. Não curto muito essa onda de ficar tentando teleguiar filho, tanto que ela foi crescendo e abdicando da carreira de jornalista. O Direito foi se transformando em algo mais próximo. Um mês depois de ter chegado ao Oregon, não é que colocaram a doidinha pra trabalhar justo no jornal da escola? Escrever sempre foi um grande prazer pra ela, mas não sabia que em um mês de EUA ela conseguiria passar pro papel seus pensamentos em inglês. Não só conseguiu como o artigo dela foi publicado, com direito a foto...rsrsrs.

Tô sim..tô muito honrado com o caminho que ela anda trilhando e cada vez mais acreditando que a pessoa nasce pro que é.

Abaixo o texto da guria.



I believe in the force of the universe, the force that our thoughts have, and the force that our beliefs have. During this month here in United States, I’m feeling that this is stronger than ever. It’s normal being more sensitive while you are experiencing a big change in your life.

Of course we all have days that every thing looks more difficult, complicated and feel that is too much. Days that everything looks heavy, gray and the bad feelings appear, like fear, this feeling is definitely what we need to deal with, because we can’t stop for fear, we have to see this as a motivation, the things we have to change to be better. So, I start to channel my thoughts for good things, and the love that my family and friends have for me, the reasons for being here now, the new experiences that I will live; I start to talk to the universe, and asking it to show me, metaphorically, the answers.

And things appear. Just in that kind of bad day I receive a drawing with smiles from my host brothers, the sunset looking prettier, my parents sending me a beautiful email, my friends saying things that they never say, and my host mom giving me a letter with a flower. Receiving A’s in school. Strangers talk to me about life and beliefs and they have a lot of the same opinions… How can I still be sad?

This is proof that I’m doing the good and important things for my life right now. I just have to believe and see with sensitivity the things that the world is trying to show me, look more for the sky, feeling the love in my soul. I’m sure that it’s not easy or simple, this is not the problem, because everything that happen with us has had a reason and hard things makes people stronger and prepared for the world.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

PQÑ?!
Aí está o primeiro PQÑ?!
A proposta é discutir a cidade.Discutir por que Belém ainda não tem coisas que já deveria ter.
PQÑ um metrô de superfície?!
PQÑ mais ciclovias?!
PQÑ transformar a João Alfredo num corredor cultural?
PQÑ transformar o cemitério da Soledade num parque de artes plásticas?!
PQÑ uma grande campanha de educação no trânsito?!
O que não falta é PQÑ em Belém.
Como vocês verão no programa, vamos trazer idéias da sociedade civil organizada para melhorar a cidade e obviamente haverá sempre alguém do poder público para responder as indagações.
Assistam o piloto e, antes de ficar falando mal de Belém, que tal ajudar a transformar a cidade?
PQÑ??!!



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Sexta-feira, Setembro 25, 2009




Perdão e Perdão
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Há muito queria ler Jaques Derrida, um filósofo franco-argelino. Derrida é dono do conceito "desconstrução", uma palavra-chave para a estética, a ética e a própria filosofia. Mas um outro conceito de Derrida me raptou, o entendimento para o perdão. Segundo ele, o perdão pode ser vivenciado de duas maneiras.Uma é o perdão incondicional, em que o culpado é perdoado mesmo sem pedir perdão ou sem arrependimento, num gesto unilateral que não exige troca. Um perdão sem poder. A outra forma é o perdão em troca do arrependimento, da transformação do pecador. Um perdão condicional.
Incondicional ou condicional, o perdão é sempre foda de ser vivido. Todo mundo tem em sua vida um fato fatídico, uma quebra de confiança, uma catástrofe afetiva...um 11/09. Será que os familiares das vítimas dos ataques terroristas de 11/09 um dia praticarão o perdão? Será que as vítimas do holocausto um dia vão perdoar os alemães?? Quem bate sempre esquece, quem apanha se lembra pra sempre e dependendo da dor, quer é que o perdão se dane.O próprio Derrida morreu sem perdoar os franceses que o expulsaram do colégio, aos 12 anos, por ser judeu. Segundo ele, isso deixou uma marca indelével na vida dele. E olha que o cara é filósofo.
Todo mundo tem seu 11/09. Um dia os aviões se chocam contra nossas torres gêmeas e o mundo todo te pede pra perdoar. Essa consciência judaico-cristã que separa os bons dos maus pela (in)capacidade de perdoar
Tem ocasiões que o melhor mesmo é erguer um obelisco no lugar das torres destroçadas e lembrar pra sempre do que o ser humano é capaz e quem sabe não viver o mesmo desastre

Segunda-feira, Setembro 21, 2009





Tuíta

Amanhã a gente começa a trabalhar um novo conteúdo pra NTV,canal 23 da ORM CABO.
O TUÍTA vai ser um programa pra dar visibilidade ao twitter na tv. A pauta e os apresentadores virão do twitter. O âncora do programa também veio do twitter e vai ser o @pedrox. Junto com ele teremos mais 3 tuiteiros que podem mudar a cada semana. A idéia é colocar no ar uma pauta e a discussão virá das postagens que serão feitas ao vivo.
O nome do programa é uma alusão a tuíta.Aquele alto-falante que emite timbres agudos e ao mesmo tempo vamos brincar como verbo tuitar.
Acho muito bacana essa idéia de crossmídia, de misturar tudo.
A estética do programa será simples.Sem cenários rebuscados, sem grande iluminação e sem muitos equipamentos. Queremos priorizar o conteúdo apenas.Simples assim, igual ao twitter
Vamos ver no que vai dar

Domingo, Setembro 20, 2009

Ovo c/ trufa branca




Simplicidade voluntária.

É mais ou menos querer viver o prazer de ser simples. De encontrar prazer apenas na necessidade que satisfaz. Nada além da conta...nem aquém, afinal até na simplicidade existe a necessidade do prazer.
Vocês já perceberam que as casas estão encolhendo? Isso não tem nada a ver com crise.É uma atitude pessoal. Pra que viver num apartamento porrudo se um de 2 quartos, varandinha, bem decorado e com uma vista linda me satisfaz? Pra que comprar um notebook a cada 6 meses se o meu vai me atender por pelo menos 4 anos? A simplicidade voluntária é uma microtendência já detectada por psicólogos e sociólogos. Você que é sagaz, já entendeu que isso pode mudar tudo. Se a simplicidade voluntária deixar de ser apenas uma microtendência e se se transformar em fenômeno social, todas as nossas relações, de afeto e de consumo, vão mudar...e eu acho que pra melhor.
Esse papo de simplicidade acaba me remetendo para o requinte, para o caro, para o luxo, que convenhamos, também é uma delícia. Mas até o luxo precisa da simplicidade bem perto, nem que seja pra sobressair. Isso serve pra tudo, principalmente para pessoas. Se eu perguntasse...você prefere ser um ovo frito ou uma trufa branca?? Porra, o quilo da Trufa Branca, a iguaria mais cara da gastronomia, custa 14 mil reais e pra encontrá-la você vai ter de dar uma chegadinha nos bosques de Alba, na Itália. Duvido muito que alguém gostaria de ser ovo frito, que custa 1 conto e pode ser achado aí na quitanda do seu bairro. É aí que a simplicidade dá o troco. O ovo, por ser simples, é conhecido na gastronomia como alimento condutor de sabor. Ele empresta toda a sua simplicidade pra que a Trufa sobressaia. É isso mesmo! O melhor acompanhamento pra chiquérrima e cara Trufa Branca é o ovo frito.
Olha...ser condutor de sabor para os outros deve ser interessante, importante e imprescindível. Pior que eu conheço muita Trufa Branca que acaba fazendo pouco caso do seu ovo frito.É tão chique que tripudia da coitada da simplicidade.
Ser simples voluntariamente e de vez em quando passear em cima de uma trufa branca pode ser um bom caminho pra felicidade possível.