
Há muito queria ler Jaques Derrida, um filósofo franco-argelino. Derrida é dono do conceito "desconstrução", uma palavra-chave para a estética, a ética e a própria filosofia. Mas um outro conceito de Derrida me raptou, o entendimento para o perdão. Segundo ele, o perdão pode ser vivenciado de duas maneiras.Uma é o perdão incondicional, em que o culpado é perdoado mesmo sem pedir perdão ou sem arrependimento, num gesto unilateral que não exige troca. Um perdão sem poder. A outra forma é o perdão em troca do arrependimento, da transformação do pecador. Um perdão condicional.
Incondicional ou condicional, o perdão é sempre foda de ser vivido. Todo mundo tem em sua vida um fato fatídico, uma quebra de confiança, uma catástrofe afetiva...um 11/09. Será que os familiares das vítimas dos ataques terroristas de 11/09 um dia praticarão o perdão? Será que as vítimas do holocausto um dia vão perdoar os alemães?? Quem bate sempre esquece, quem apanha se lembra pra sempre e dependendo da dor, quer é que o perdão se dane.O próprio Derrida morreu sem perdoar os franceses que o expulsaram do colégio, aos 12 anos, por ser judeu. Segundo ele, isso deixou uma marca indelével na vida dele. E olha que o cara é filósofo.
Todo mundo tem seu 11/09. Um dia os aviões se chocam contra nossas torres gêmeas e o mundo todo te pede pra perdoar. Essa consciência judaico-cristã que separa os bons dos maus pela (in)capacidade de perdoar
Tem ocasiões que o melhor mesmo é erguer um obelisco no lugar das torres destroçadas e lembrar pra sempre do que o ser humano é capaz e quem sabe não viver o mesmo desastre

8 comentários:
Pra mim, mais difícil que perdoar o outro, é perdoar a mim mesmo.
Todo mundo é um dia avião e outro torre. Todo mundo...
mas tem gente que nasceu pra ser terrorista mesmo. Vivem de jogar bombas e fazer ataques terroristas na vida dos outros. Um dia explodirão suas próprias torres
pode até ser... é... pensando bem, acho que vc tem razão. Vamo rezar pra um doido desses não cruzar as nossas torres. E se cruzar, que a gente tenha uma empreitada rápida, forte e competente pra se reerguer rapidinho.
E que nos nossos dias de avião a gente seja só um monomotor, né? e se por acaso for um jumbo, que a gente ajude, pelomenos, na conta da empreitada.
Terrorismo, não. Definitivamente, não.
ah se eu fosse cobrar a fatura.Essas coisas são b em caras ,sabia?!
Mas a sensação de ver os escombros e passar ao largo dele, impávido e honrado, não tem preço.
Tds os terroristas que passaram pela minha vida estão perdoados, afinal fizeram isso acreditando num paraíso cheio de virgens.Como eu não curto virgens e tenho certeza que o paraíso, ou o inferno, estão aqui dentro de mim, prefiro então cuidar do meu microcosmo.
Pra mim,o perdão condicional tem relação com o culpado acidental, acidentes podem ser evitados, mas pagando um preço razoável de contenção, que as vezes nem vale a pena ser pago e outras vale até pelo dobro do "preço".
Perdão, é tão dificil falar desse sentimento. Ate 03/2009 pensei que ser uma pessoa capaz de perdoar foi quando meu mundo caiu e descobri o quanto sou egoista e o perdão tornou-se algo "impossivel" sobre humano de ser praticado por essa pobre mortal.
Seu texto me deixou com vontade de dizer que o mais dficil do "perdão" é voce descobrir que não consegue perdoar, pra mim o mais dificil não é "perdoar" o dificil é "não perdoar".
Mara
Caramba... que delícia de conversa... o perdão é um sentimento que passa batido na vida da gente até o momento do choque. Não adianta. Quem toma o impacto não esquece jamais. Vai passar um bom tempo da vida procurando uma razão pra perdoar em meio aos escombros. E mesmo que resolva amortecer o tranco e tocar a vida adiante, as cicatrízes ficarão para sempre. Com ou sem ele! A deslealdade causa uma doença que nem o perdão consegue curar.
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Seus pitacos