To me rasgando de rir da boa provocação do Marcel, Gustavo, Damaso e toda a "quadrilha" da Se Rasgum. Pinduca e Gabi Amarantos na veia! Ligaram o fouuuda-se pro preconceito. O jazz já passou por isso, juro!
É tudo música de negro, música de escravo, música de ritmo. Tá certo que por aqui, o índio e o caboco quiseram entrar na suruba e deixaram suas marcas. Por lá, os Peles Vermelhas ficaram de fora da farra musical. Mas o Blues tem a influência de pelo menos 3 culturas: a espanhola, a francesa e anglo-saxã, com destaque para influências latino-americana, caribenha e francesa (Martinica). Alguém por aqui teria a cara de pau de negar que o carimbó também namorou com tudo isso?
O Blues cantado, que é a alma do jazz, usava o banjo, instrumento africano, como acompanhamento. Assim como o Carimbó do Pinduca, Verequete e Marco André. Mera coincidência? Mas tem um detalhe antropológico mais interessante e esse sim, tem a ver com a atitude do SeRasgum.
A história da arte, da cultura, jamais vai ser a história de um enredo só. Em cada lugar vamos ter pelo menos 2 histórias: uma que é consumida pela minoria rica, desocupada ou educada ( ou uma minoria de descolados culturais) e outra que vai ser devorada pela massa de pessoas "comuns". Duvido muito que alguém da massa se divirta no Festival de ópera da Amazônia. Tirando o lado pitoresco, duvido muito que o Presidente do Tribunal de Justiça, vá se esbaldar tomando cerveja no balde num baile de tecnobrega. O que une esses dois públicos é o orgulho nacional (ou territorial) e social. Por isso alguns artistas de minorias se tornam universais. Foi por esse orgulho nacional e social que o Blues, que se transformou em jazz, sobreviveu. Talvez seja por falta disso tudo que o Carimbó possa levar o farelo. Não preciso amar algo pra sentir orgulho daquilo. Mas acho bom reconhecer que aquilo tem valor, mesmo que eu não consiga amar. Por aqui falta esse sentimento.
Logo que o pessoal da Se Rasgum divulgou o Line-Up do festival, acompanhei algumas reações no Twitter contra o Pinduca e a Gabi. Com a rainha do tecnobrega houve até certa tolerância (?!) mas os elogios ao Pinduca foram de Farsante a plagiador. Quem não plagiou no mundo pop que atire o primeiro banjo. Roberto Carlos plagiou, Beatles plagiou, Stevie Wonder é cego, mas também já deve ter plagiado. Não to aqui fazendo apologia ao plágio, mas as canções fakes dessas figuras nunca serviram pra acabar com a carreira de ninguém. Restou o farsante Pinduca. Fiquei me perguntando qual a farsa que ele pratica. Sempre tocou carimbo, colocou alguns elementos folclóricos no palco, enfiou eletrônica no ritmo e foi o cara que conseguiu levar o Carimbó, mesmo não sendo o Carimbó que a minoria de educados gosta, pra todo o Brasil.
O Blues só não morreu por causa de um judeu que resolveu criar um selo para gravar e prensar discos daquela música de pergunta e resposta cantada pelos negros no vale do Mississipi. Que os caras da SeRasgum não são judeus, disso eu sei, afinal ainda não conseguem ganhar grana com o festival. Mas como fazedores culturais sabem que tem a missão de tentar educar, fazer o público refletir e incutir nas pessoas esse tal orgulho territorial e social pela nossa música.
Hermano Viana, Dj Dolores, Nelson Motta e outros menos preconceituosos já aderiram a modernidade e exotismo da cena musical paraense. Quando vem por aqui saem cheios de vinis do Pinduca, do Mestre Vieria, do Pio Lobato, La Pupunã e mais alguns. Tomara que os “descolados culturais” entendam a mensagem do Marcel, do Damaso e do Gustavo e curtam o show com respeito e a alegria que essa galera merece.

15 comentários:
Da-lhe Ney, eu não gosto de tecnobrega, pois musicalmente pra mim é ruim, mas o Pinduca é meu rei!
Vida longa ao Se Rasgum, eles fazem no mínimo o povo paraese debater sobre a música produzida no estado, e esse ano, te contar, essa programação me surpreendeu muito.
Bom dia Ney...cara, sou um dos que fez alguma crítica, não pela parte do Pinduca q eu tenho certa admiração pelo trabalho dele .
Fiz sim crítica pela participação da Gabi Amarantos, porém depois de ler seu post e concordar com ele, respeito a decisão da equipe do festival.
Concordo com sua comparação do Blues e Jazz que eram estilos envolvidos de preconceitos e se não fosse por atitudes de alguns nós não teríamos hoje estas contribuições incríveis da música.
Bem...irei ao festival prestigiar as bandas e vamos ver o que acontece né...Abraços
A turma do rock costuma ser bem exigente. Eu, por exemplo, não tenho nada contra Pinduca...até me arriscaria a ouvir um carimbó. Mas Tecnoshow? Ninguém lembra do que aconteceu depois que um grupo de pagode se apresentou no Fest ROCK (destaque para o ROCK)?
Esperamos um ano inteiro para ter um festival com o nosso tipo de música e na hora...decepção. É a diversificação levada tão a sério que tropeça nos próprios pés.
severosale
e qual seria o nosso tipo de música? o seu tipo? o meu tipo? ou todos os tipos?
Obrigado pela visita
Ah...completando. É melhor comentar mesmo só depois do evento da mesma maneira que eu fiz no show do Fórum Social Mundial no Hangar que teve o Seu Jorge e as aparelhagens...
Fui à Salvador ano passado. E descobri que todos, TODOS são fãs do PINDUCA por lá, é uma pena ainda ter gente nonsense aqui em belém pra música. Pinda é Rei
Talvez o limiar da questão esteja entre valorizar a cultura musical local, mesmo não gostando muito do estilo (típico bairrismo do paraense) e não aceitar o som por pura questão de afinidade. O foda é querer pagar de "eu valorizo a cultura local porque vou construir uma imagem legal na sociedade", mas no fundo achar uma bosta e não ter se quer um mp3 do tecnoshow ou do Pinduca. Não tou defendendo ninguém, só acho que a honestidade ainda vale a pena. Se gosta, gosta, se não gosta, não gosta, obviamente com seu devido respeito. É simples.
Livando...quantas óperas vc tem no seu mp3??
Pense nisso.
ah!! eu não tenho nenhuma
Muuuuuuuuuuito boa a atitude deles.
Concordo em gênero, número e grau contigo!
Mas que tal a gente ouvir carimbó e não, Pinduca?
Ou que tal a gente ouvir Pinduca, assumindo-se como lambada?
Pinduca não é carimbó, Ney Emil...
E vou me rasgar horroooooores com o Tecnoshow!!!
piriri..piriri...piriri...piriri...piriri...piriri..piririri
Assim como o Blues não é jazz, assim como o rock não é blues..mas tudo veio do mesmo canto.
Talvez o Pinduca não seja o Carimbó que vc gosta...mas que é carimbó, isso eu acho que é.
Bem, eu não costumo ouvir ópera, nem carimbó, nem brega, mas dou muito valor em dançar esses 2 últimos (a la forró da UFPA). Na minha humilde opinião esses ritmos estão voltados mais pra dança que pra apreciação musical. Gostei da iniciativa de chamarem eles pro festival, mesmo pra ser uma espécie de "afronta" pra galera que gosta de rótulos. A mesma galera que curte calças quadriculadas.
Ney, me mandaste o link do teu post e óbvio que entrei para ler. Não emitirei opinão com juízo de valor. Porém, existe uma diferença muito grande entre bairrismo e auto-estima. Gosto não se discute, mas, discute-se a falta de sincronismo entre querer ser o que não é e buscar sempre ser o que não nos rodeia. Já que me citaste em te texto, meu carimbó não existiria sem Verequete, Pinduca, Lucindo, Paulo André Barata. O que talvez o Pará não tenha entendido é que para se tornar universal é importante partir-se do regional. A música mais moderna do mundo é a Wolrd Music, RIAZ+CONTENPORANEIDADE. Não teria na platéia de meus shows Nelson Motta nem Hermano Vianna se não estivesse falando das minhas influências e origens. Não teria dando canja comigo Sérgio Dias dos Mutantes com sua guitarra fantástica se não estivesse empunhando um banjo de mestre Favacho que o deixou louco e tocasse outro tipo de música. O carimbó tem encantado muita gente. O Pinduca é ídolo de Chico César, Lenine e Zeca Baleiro assim como vários outros. Falta o jovem paraense se reconhecer mais nas produções modernas feitas por artistas do estado e isso envolve todo mundo incluindo a imprensa, pois diferente de Pernambuco, por exemplo, geralmente o que tem a ver com o Pará é essencialmente chato e velho para a maioria dos que se dizem modernos. Parabéns ao pessoal do SeRasgum. O futuro dirá... Abraços
Sou MEGA suspeita pra falar da Se Rasgum, porque gosto muuuiito de Marcel, Damaso, Gustavo e Cia, entretanto, vou dar minha opinião desnuda de paixões [acreditem!].
Acho que qualquer mistura diverte, e, que respeitar o outro é sempre bom e todo mundo gosta. Eu adoro Carimbó, mas não curto o Seu Pinduca, por outro lado, AMO a Gabi e nunca vi um show de tecnobregamelodyfunkshow.
Vamos ver no que vai dar, o Terruá misturou tanto, tanto que acho difícil chegar-se novamente à receita, mas não custa tentar.
Aos que reclamam: Paciência... O LineUp já tá fechado não adianta bater o pé como criança mimada ou ficar falando mal sem se dar o trabalho de experimentar! Eu já fiz isso com maniçoba e me dei mal!!!
P.S. “Stevie Wonder é cego, mas também já deve ter plagiado”? Huahuahuahuah
Viva a diversidade!
Desde o ano passado o Se Rasgum não é mais "no Rock" e algumas pessoas ainda não assimilaram isso, pelo o que vejo.
Também no festival do ano passado, lembro da polêmica que envolveu a escalação do DJ Malukinho e a achei muito parecida com essa.
Quem esteve lá, assistindo o show do Malukinho, deve lembrar de ter visto a cena: um monte de roqueiro indie dançando technobrega sem nenhum pudor. Mais que isso, todos estava se divertindo muito e o objetivo do Se Rasgum foi cumprido.
Eu acredito na cuca legal do público que vai ao Festival Se Rasgum e curte toda a diversidade de ritmos que é apresentada. Acho que os que se dizem insatisfeitos com a escalação de Gabi e Pinduca são a minoria. E quer saber? Essa galera que reclama acaba indo pro festival e se diverte horrores. Essa foi a conclusão que tirei com o caso do Malukinho e a transporto pra cá.
É impossível agradar 100% a todos.
Não dá pra eu ficar elogiando o Se Rasgum aqui porque, como a Alessandra, sou suspeitíssima, mas... A programação do festival tá linda de pai e eu sei que vou me divertir muiiiiito.
:)
ADOOORO as misturas!! Na prática podem se mostrar geniais, explosivas ou uma grande M. Só tentando pra saber. É assim na culinária, na perfumaria, na moda, música, artes visuais, enfim...Parabéns aos meninos do se Rasgum pela iniciativa e coragem.
Quanto às críticas à presença da Gabi, não concordo. Ela manda muito bem, dentro da proposta musical em que se coloca. E, acima de tudo, é criativa e única, tem conceito. Já vi muito outras cantoras copiarem as idéias originais de Gabi. Nada a ver com gênero musical. Eu, por exemplo, sou roqueira e de-tes-to o tal de Susana Flag... vai ser ruim assim lá do lado do Fresno!!! Chega a me irritar!
Mais uma vez parabens ao serasgum.
Muito boa essa foto. Saudades dos meus amigos...
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Seus pitacos