Mude Djá!!

Mudar é difícil. Ouvi essa frase ontem de alguém que honestamente anseia por mudança interior, mas se esbarra nas dificuldades normais do enfrentamento pessoal.
O mais cruel de todo processo de mudança é dar de encontro com as nossas fragilidades e perceber que na maioria das vezes elas não foram construídas por nós, mas impostas pelos famosos "complexos parentais", geralmente complexos de pais, irmãos, família, que acabam sendo internalizados por nós nas nossas dinâmicas de vida. A maioria dos nossos problemas são construídos dessa forma. Nascemos uma tela em branco e quando começamos a nos relacionar com o nosso meio, os defeitos dos outros começam a nos fazer sofrer e para não viver a dor do sofrimento criamos nossas defesas. São essas defesas que forjam a nossa segunda personalidade, àquela que vai definir nossa forma de viver e de nos relacionar com o mundo.
A pessoa que conversava ontem tem uma enorme dificuldade de manter uma relação afetiva tranquila e duradoura. Teve pais que a abandonaram por conta de profissão, trabalho e coisas do tipo. Ora, pra ela, lá atrás, isso deve ter causado um sofrimento imenso e pra evitar a dor acabou se convencendo que as relações não precisam de laços afetivos fortes, porque todo mundo que a ama vai abandoná-la mesmo. Entendeu a dinâmica dos complexos parentais e seu funcionamento? É quando você forja uma defesa pra não sofrer que você cria a sua dinâmica de vida. O cruel é que isso fica no campo do inconsciente, até que você resolve encarar a situação, trazê-la pro nível de consciência e trabalhá-la. Outra crueldade do processo é que não adianta ficar culpando pai, mãe, amigos e o escambau por tudo isso. Apesar deles participarem do processo, também fizeram inconscientemente. A saída é desculpar de verdade todos os envolvidos no processo e seguir em frente no longo caminho da mudança interior. É dolorido e demorado, meu chapa. Enfrentar seus porões é encarar dores primárias e sensações desagradáveis, mas o resultado é emocionante e transformador.
Não é todo mundo que tem estômago pra enfrentar esse processo de mudança. As armadilhas sedutoras da vida sempre nos levam pro lado oposto, afinal é bem menos traumático e trabalhoso se entregar aos apelos do dia-a-dia do que ficar lutando contra nossos demônios.Mas não tem jeito. Se você é um cara que pensa, que raciocina e tem um certo compromisso com sua evolução pessoal, não tem como fugir, até porque um dia a vida te cobra.
A linha que separa a vida de verdade da vida de sublimação é muito tênue. Não sei se você prefere viver bêbado de sublimação ou encarar a dura realidade da vida de verdade. Tenho a sensação de que ninguém consegue viver bêbado o tempo todo, além do mais, a verdade sempre liberta.
Pra você entender um pouco melhor tudo o que eu falo sobre complexos parentais, te sugiro uma leitura bem fácil de um psicoterapeuta chamado Guy Corneau. O livro é "Será que existe amor feliz? "
Com relação a pessoa que citei e que gerou esse meu txto, acho que ela vai ter muita dificuldade pra mudar de verdade. Fora o fato de que mudar é foda, as armadilhas de vida da criatura são deliciosas, por isso muito mais difíceis de serem deixadas de lado. Mas ela tem potencial, uma vontade verdadeira e um forte aliado...o amor...e O AMOR É IMPORTANTE, PORRA!